Sempre fui muito menina do papá, talvez porque as nossas personalidades são idênticas, e o facto de os meus pais se terem divorciado quando eu tinha 3 anos e, devido a isso, eu ter começado a passar todos os fins-de-semana com ele, é capaz de ter também contribuído para a tal coisa de eu ser menina do papá. Desde que me lembro, temos uma cumplicidade enorme um com o outro. Nunca me senti abandonada por ele, e ele nunca me desiludiu. A única vez em que o desiludi, ele teve toda a razão do mundo em se ter sentido assim, e por mais que me tente redimir, sei que ele se vai lembrar daquilo, porque sou a sua filha. Mas não fico chateada por tal, porque agi erradamente.
As maiores lembranças da minha infância que tenho foram passadas com ele, porque nos divertíamos sempre imenso: desde cinema, ao teatro, à praia, ao jardim zoológico, ao parque, ou à melhor gelataria do mundo. Sabíamos - e ainda sabemos - passar os dois tempo de enorme qualidade, e não trocaria nenhum destes momentos por nada.
Às vezes sinto que ele me lê a mente. Isso porque confiamos ao máximo um no outro, e conhecemos todos os nossos defeitos e qualidades (que são praticamente os mesmos). E digo que acho que ele me lê a mente, porque quando lhe vou dizer algo, ele já sabe o que vou dizer. Talvez eu seja muito previsível, e mesmo que lhe tente esconder algo de que ainda não tenho a certeza, ele diz-me logo que já sabia, porque me consegue decifrar de uma maneira incrível. Isso aconteceu este fim-de-semana, quando fui jantar com ele e alguns membros da famelga. Ele já me tinha confrontado com uma situação, mas ainda não tinha coragem para lhe dizer porque era algo menos bom, e então foi no Sábado que ganhei coragem para lhe falar sobre isso. E ele compreendeu e disse que já o sabia, porque tinha visto na minha cara e na maneira com que eu falava sobre a tal situação. E claro, ele com a sua sinceridade lindíssima, consegue ser um tolo e fazer-me sorrir. E não me magoa. Mas quando o faz, eu digo-lhe logo.
Às vezes ele consegue ser um bronco (não no mau sentido) e eu herdei isso dele. Tal como toda a minha alegria, sentido de humor, sinceridade e frontalidade. Foi tudo herdado dele (a frontalidade e sinceridade também vieram da minha mãe!) e não poderia ficar mais feliz por ser tão igual ao meu pai. Ele consegue fazer-me sorrir quando eu menos espero, sabe dizer-me as palavras de conforto de que preciso ouvir na altura, e é sincero em relação a tudo, mesmo que eu não goste. E eu não me importo com isso, porque sei que ele era incapaz de dizer algo só para me agradar. Ele faz logo o meu dia mais brilhante quando me liga e me diz "Bom dia flor do dia!" ou "Olá amor da minha vida!" com uma alegria enorme na sua "bruta" voz.
Tenho a plena noção (e como vocês já puderam concluir) que vou ser para sempre menina do papá. Mas ele faz-me ficar tão repleta de felicidade, que não me importo de ser assim. Ele faz-me verdadeiramente feliz, tal como eu a ele. Tenhamos a idade que tenhamos, ele é o meu daddy, e eu sou a sua filhota. E eu sou uma babada por ele.
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